Valorize Familiares e a sua Saúde, Consolide e Ame o Próximo.

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E AGORA, JOSÉ?  Sempre lembro desta linda poesia emblemática do nosso inesquecível Carlos Drummond de Andrade: E agora José?

Em nossa trajetória terrena sempre somos confrontados com umas indagações cruciais, como esta que estamos vivenciando agora. A vida seguia seu rumo dentro dos seus parâmetros de normalidade. Lembro que em janeiro ao ir no aeroporto internacional, reparei que uma família chinesa brincava com filhos alegremente, porém, todos de máscaras. claro que aquilo me chamou a atenção, mas com um distanciamento, pensando que aquele comportamento era algo distante da gente. Era algo deles que não devíamos nos preocupar, apesar de já ter notícias na televisão. Mas, a minha percepção era de  algo que não viria pra cá.

De janeiro a março, apenas dois meses para eclodir no mundo inteiro  a grande crise epidêmica do planeta – COVID/19, uma Pandemia. Algo assim, desta magnitude,  apenas em  1920 com a gripe espanhola que vitimou mais de 300 mil pessoas. Por isso, começamos esse texto, com esta grande interrogação do nosso famoso poeta: E agora José?

É preciso aprender com esta pandemia. Valorizar mais nossos familiares, consolidar nossas amizades e dar mais atenção à nossa saúde e a de terceiros.

Ainda pouco sabemos sobre esse novo vírus. Até quando viveremos em quarentena? Os mais otimistas falam em um ano. Mas, de uma coisa sabemos: o mundo não será mais o mesmo. Como será depois… Você estará preparado? Nada será como antes, não é mesmo Drummond?

Texto de Jozias Castro – Publicitário Executivo da JC Marketing – Formado em Economia UFRJ – Mestrado e Pós Graduação UFRJ – mkt@jcmarketing.com.br

O poema “José” de Carlos Drummond de Andrade foi publicado originalmente em 1942, na coletânea Poesias. Ilustra o sentimento de solidão e abandono do indivíduo na cidade grande, a sua falta de esperança e a sensação de que está perdido na vida, sem saber que caminho tomar.

E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou,e agora, José? e agora, você? você que é sem nome, que zomba dos outros, você que faz versos, que ama, protesta? e agora, José? Está sem mulher, está sem discurso, está sem carinho, já não pode beber, já não pode fumar, cuspir já não pode, a noite esfriou, o dia não veio, o bonde não veio, o riso não veio, não veio a utopia e tudo acabou e tudo fugiu e tudo mofou, e agora, José?

E agora, José? Sua doce palavra, seu instante de febre, sua gula e jejum, sua biblioteca, sua lavra de ouro, seu terno de vidro, sua incoerência, seu ódio — e agora? Com a chave na mão quer abrir a porta – não existe porta, quer morrer no mar mas o mar secou, quer ir para Minas mas Minas não há mais. José, e agora? Se você gritasse, se você gemesse, se você tocasse a valsa vienense, se você dormisse, se você cansasse, se você morresse… Mas você não morre, você é duro, José! Sozinho no escuro qual bicho-do-mato, sem teogonia, sem parede nua para se encostar, sem cavalo preto que fuja a galope, você marcha, José! José, para onde?

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